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Dois meses após estreia, “Alto Astral” ainda não mostrou a que veio

O triângulo amoroso central de “Alto Astral”, formado pela mocinha Laura (Nathália Dill), ao centro, Caíque (Sérgio Guizé), à direita, e Marcos (Thiago Lacerda), à esquerda. Foto: Divulgação/TV Globo

Por Gaspar Neto

No próximo sábado (03/01) completam-se dois meses da estreia de “Alto Astral”, atual novela das 19h da Globo. Já podemos admitir que a trama conseguiu recuperar a qualidade perdida no horário, após o fim da desastrada “Geração Brasil”. Mas ainda assim, a história de Daniel Ortiz ainda não conquistou totalmente o público.

A trama central, que se baseia no romance entre a jornalista Laura (Nathália Dill) e o médico paranormal Caíque (Sérgio Guizé), parece não sair do lugar. Há cerca de um mês, os dois começaram a namorar e passaram a enfrentar a obsessão de Marcos (Thiago Lacerda), que não aceita o relacionamento e já foi capaz de fazer diversas armações ao lado de Samantha (Claudia Raia) para separar o casal, numa história digna de “Malhação”. Nos últimos capítulos, os mocinhos ainda passaram a contar com a rejeição de Vicente (Otávio Augusto), avô de Laura, ao relacionamento.

Itália fica arrasada com vídeo e César tenta se desculpar (Foto: Artur Meninea/Gshow)

Itália (Sabrina Petraglia) e César (Alejandro Claveaux) em cena onde a enfermeira que um vídeo íntimo dos dois vazou para toda a cidade. Foto: Divulgação

Mas se o conflito principal anda morna, o mesmo não pode-se dizer das histórias coadjuvantes, que garantem o diferencial da novela. Entre elas, a do vazamento do vídeo íntimo de César (Alejandro Claveaux) e Itália (Sabrina Petraglia) – uma trama que pode ser considerada até pesada para o horário das sete da noite. Sueli (Débora Nascimento), é outra personagem que promete surpreender nos próximos capítulos, com um perfil rico que pode render reviravoltas interessantes.

O triângulo amoroso formado por Marcelo (Edson Celulari), Maria Inês (Christiane Torloni) e Úrsula (Silvia Pfeifer) – que finge ter uma doença terminal para segurar o marido – é outro que deveria ser melhor explorado, mas que não sai do lugar. Até agora, Marcelo segue declarando todo o seu amor por Maria Inês e Úrsula, que já percebeu o clima entre os dois, segue investindo em crises relacionadas ao seu tumor para manter o casamento.

O casal Tina (Elizabeth Savalla) e Manoel (Leopoldo Pacheco) junto com os filhos Israel (Kayky Brito), Itália (Sabrina Petraglia), Bélgica (Giovanna Lancellotti) e Afeganistão (Gabriel Godoy): garantia de boas risadas. Foto: Divulgação

No quesito comédia, “Alto Astral” garante boas risadas para quem está na frente da televisão. O casal Tina (Elizabeth Savalla) e Manoel (Leopoldo Pacheco), junto com os filhos Afeganistão (Gabriel Godoy), Bélgica (Giovanna Lancellotti), Israel (Kayky Brito) e Itália rendem boas cenas e representam muito bem qualquer típica família brasileira – afinal, é impossível não identificar um parente ou até se reconhecer em alguns dos conflitos vividos pela família.

Kayky Brito na pele do médico Israel. Personagem pode render bons desdobramentos em “Alto Astral”. Foto: Divulgação/TV Globo

Completo a lista de destaques com o próprio Israel, um médico viciado em drogas medicinais que foi afastado do hospital por Marcos e obrigado a ser uma espécie de capataz seu em troca de seu segredo não ser revelado à família. É de longe uma das melhores atuações de Kayky Brito na televisão e diferente dos personagens rasos que costuma viver. O romance com Bia (Raquel Fabbri) tem tudo para conquistar a torcida do público.

Com romances simples, vilões caricatos e personagens cômicos, “Alto Astral” conseguiu recuperar a essência do horário das 19h da Globo. No entanto, nos dias de hoje, uma trama simples e repleta de clichês não consegue prender o telespectador sem um bom ritmo. Fica a expectativa para que agora, após a virada do ano, a história ganhe velocidade e que alguns personagens que até então foram deixados de lado sejam melhor aproveitados.

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